Coaching é crime?

Coaching é crime?

23/09/2019

Respondo sem rodeios: NÃO! Crime é o que fizeram (e estão fazendo) com o coaching. Ultimamente vem crescendo o debate em torno da proposta de criminalização da prática de coaching, acirrando ânimos entre psicólogos(as) e coaches. Sou psicólogo, mestre e doutor em Psicologia. Também sou coach. Por isso me sinto a vontade para falar sobre o tema. Vou justificar minha posição: o problema não está na metodologia em si, mas na falta de preparo, supervisão, consciência e até de ética, dos coaches que temos no mercado. Ministro a disciplina Coaching e Mentoring nos MBAs da FGV. Escuto cada coisa! Outro dia uma aluna relatou que na sua cidade um “coach” estava se oferecendo para tratar depressão, síndrome do pânico e etc. Me desculpem, mas isso não é coaching. Está mais para charlatanismo...  

O processo de coaching pode promover excelentes resultados, desde que conduzido por profissional qualificado e para as demandas corretas. A metodologia é excelente para definir e atingir metas, rever seus valores, descobrir fontes de motivação, gerenciar sua carreira, trabalhar relacionamentos, melhorar a performance no trabalho. Seu grande ponto forte é fazer com que o cliente comece a pensar sozinho, buscar respostas dentro de si. Isso não é novo, os filósofos gregos já utilizavam a maiêutica. (clique na palavra para saber mais).

Outro problema vem do sucesso que o coaching teve no mercado. O termo ficou popular e muitos quiseram pegar uma carona nessa onda. Hoje existe coach para tudo: financeiro, de saúde, para casar, para descasar, até erótico. Mas será que usam metodologias de coaching? na maioria das vezes nem sabem do que se trata. Mas o que mais me preocupa não são esses casos. Tenho medo dos profissionais que fizeram formação em coaching, receberam ferramentas que não estão preparados para usar, mas acham que estão.

A origem do problema, ao meu ver, são as “empresas” que fazem de tudo para vender as formações em coaching. Temos instituições sérias, com certeza. Mas temos também àquelas que desejam apenas o lucro e vendem a ideia que tudo pode ser resolvido com suas “ferramentas mágicas”. Basta lembrar que uma novela de grande audiência serviu para associar coaching ao tratamento de violência sexual. Tais “institutos” se aproveitam da falta de perspectivas no mercado de trabalho, vendem a ilusão que se você for coach vai ter fila de clientes pagando R$1.000,00 por sessão. E ainda por cima ficam inventando novas “modalidades” de coaching, só para te fazer pagar um novo curso, tornando sua formação “mais completa” (e seu bolso mais vazio...).

Saber que o coaching não resolve tudo, que as vezes o cliente precisa de terapia, deve ser a base para qualquer coach sério e capacitado. A solução está na cara: a regulamentação da profissão, com um controle mais rigoroso para que o participante recebesse seu certificado. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos...

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